segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Estavam a sós, tinham toda a imensidão azul a sua frente enquanto ele via, entre as gotas de chuva que marcavam seus óculos, aqueles mesmos olhos, aqueles olhos que outrora não lhe sabiam olhar. Ela esboçava um sorriso, ele largo com os olhos fechados de sorrir, e ali entre silêncios e palavras não ditas se conversavam, as palavras não lhe bastavam, as palavras nada diziam, mais diziam seus olhos claros de sol, sua pele quente de dia, molhada de chuva. E ficaram ali parados como se o tempo não lhes pudesse alcançar, marcando cada detalhe, o peso do corpo, o toque das mãos, cada mancha nos olhos, cada cor, cada luz, cada tom. Tinham o mundo aos seus pés e ainda assim não havia nenhum caminho a seguir, preferiram assim, que o caminho se faça por si só. Naquele momento se bastaram e nada mais.
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