quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

de trás pra frente.

Não sabia bem ao certo o que podia acontecer, ainda assim dirigiu por horas sem saber por onde andava sua cabeça. Havia algo que o envolvia e o levava para o centro da terra, como uma força gravitacional que não podia conter, mas tinha o calor das explosões solares, e a fúria arrebatadora das ondas em alto mar.

Naqueles dias andava se sentindo como se tudo à sua volta flutuasse sob o contra passo de uma melodia que somente bem fundo conseguiria identificar. Ele dançava ainda sem ouvir direito o que estava tocando, seguia aquele ritmo que havia em suas veias e pulsava em todo o seu corpo quase que como uma dor pungente, e havia ainda o calor.

Não lhe importava mais quanto tempo estava sem dormir ou por quantos dias havia dormido antes de sem nem perceber abrir um certo sorriso que lhe trazia o cheiro daquelas árvores de verão que lembram praia, não saberia explicar melhor que isso. Com óculos escuros, mesmo que não houvesse sol, ele seguia pela estrada deserta na madrugada que não estava fria, mas que vinha aquecendo.

Havia feito algumas paradas entre os tantos quilômetros que estava percorrendo, mas os pensamentos pareciam não parar nunca de caminhar naquela mesma direção para o qual seu sangue convergia. Por fim chegou naquele dia que parecia destinado a ser dele, a ser deles e de mais ninguém. Tudo estava perturbado à sua volta, como quando uma pedra é lançada em lago calmo, como se não houvesse nada a parar aquela vibração que zunia e fazia pressão nos seus ouvidos. como se algo houvesse perturbado todo o ar no seu entorno, e girassem ciclones intermináveis ao seu redor.

Havia determinação nos seus olhos, a determinação de que aquilo não passaria do plano físico. Se vestiu então com sua roupa preta de costume, seu sorriso de canto, sua pele branca por baixo da camisa meio amassada. Tinha o corpo fechado - mal sabia, o coração aberto. Sentiu então, tão de repente quanto um piscar de olhos, aquele perfume lhe invadindo a alma, por um momento, não mais que um momento, quase, quase fechou os olhos.

Passou alguns dias ainda com aquela presença em seu corpo, com aquele cheiro impregnado em seu olfato, com o calor a lhe queimar como o sol de verão ao meio dia. Negava com a cabeça cada vez que sentia ainda na memória de seus lábios o seu toque, acreditaria no que quisesse.

Naquele tempo ainda não sabia do tempo que viria, não acreditava em nada além da previsão de bons ventos e deixou as janelas abertas. Mal podia prever, tudo iria mudar.

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