E havia no mundo algo que o fazia acreditar. Nem sabia ao certo o que era de fato, nem em que de fato acreditava, mas ia seguindo como se tudo o aproximasse dia-a-dia da claridade.
As vezes ficava só a esperar, olhava o mar quebrando em ondas na praia branca, quando em tempo, via o sol se pôr atrás do morro da bandeira, e as vezes tinha uma rede em algum lugar com cheiro de maresia.
Outras, fechava os olhos e se imaginava bem longe dali, dentro de si, escondido do mundo como se fugindo dos monstros no armário da sua infância. Tinha dias que simplesmente não havia nada além daqueles olhos na sua lembrança, da memória daquele cheiro que invadia todo o ar que havia. E então se embriagava de sol e se aninhava na memória como naqueles braços, e sentia o calor tão comum no encontro da pele, e se abrigava do mundo como nos tempos em que era criança. Sorria.
Se erguia forte no meio da noite, caminhava passos largos, por vezes lento, as vezes, nada. Parava e silenciava.
Mas quando a via, abria o peito, a boca, gritava um grito sem som que ecoava em seu peito, e então caia. Frágil, liberto, esclarecido e inebriado, cantava juras que não eram suas e de ninguém, mas bem que lhe caberiam naquelas horas de noites claras e dias de chuva.
E nesses dias de luar laranja ou prata, nessas noites de céu claro ou estrelado, céu de anil, tecido alvo e negro, poá, qualquer céu que houvesse era só o que havia, sabiam-se lá, e isso bastava.
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