sábado, 14 de janeiro de 2012

Tinha o tempo em suas mãos, mas ele não escorria como areia fina em uma ampulheta, reluzia cristais multicoloridos como astros ao longe em um céu que não estava ao seu alcance. Para ele, só havia a beleza. A beleza era enfim o que o guiava dia e noite, mas muitas vezes era preciso que fechasse os olhos para entender e então perceber as cores.
Respirava fundo e deixava que as ondas o atingissem, sem resistir, fechava os olhos e via a chuva chegando lá no horizonte, não tinha medo, lembraria daquele cheiro de mar até o fim, ou até quando sua memória nada boa o permitisse, mas ainda assim saberia que havia o mar, e havia o cheiro de mar e o cheiro de chuva, a chuva que vem pra lavar.
O tempo rolava entre seus dedos, e parava encaixado em dois deles, enquanto os outros brincavam soltos no ar, não se cansava de perceber a singela claridade daqueles instantes guardados ali, em sua mão. Como um amuleto carregava muitas lembranças gravadas em cada uma das milhares de face do cristal que reluzia no sol, como um caleidoscópio daqueles que tanto gostava de admirar na sua infância.
E observava o tempo parado, o tempo que se foi, o tempo que lhes foi roubado, o tempo que ainda estaria por vir. E seguia, em alguns momentos, sozinho.

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