sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sempre fico pensando nos detalhes. Pra mim, são os detalhes que dão cor a vida, é o detalhe de um mínimo acorde que difere o comum e a genialidade. As vezes é preciso embaçar os olhos para conseguir ver a arte em uma grande tela exposta, surreal, esse é o detalhe, fechar os olhos pra não ver o tempo passando.

Certos detalhes são de tamanha sutileza que é difcíl de fato perceber. É a sutileza de um sorriso dolorido, de um abraço tão cheio de saudade que apaga qualquer distância que possa haver, o detalhe de um olho apertado pra poder enxergar o sono, no escuro.

Penso que talvez o mundo fosse muito mais colorido para outrem se visse a beleza dos detalhes, as folhas de outono, quase secas caídas ao chão, multicoloridas, com tantos tons que nem Van Gogh pintaria, bom, talvez. É o detalhe da criação que fez um cachorro quase albino, não fosse um dos olhos castanhos. Se visse através de meus olhos então talvez entendesse o que se passa na minha inquieta confusão cotidiana, mas esse é o meu segredo.

As pequenas coisas. Tem dias que a garganta seca e os olhos não. Talvez eu seja passional demais, demasiadamente passional, quase piegas, ou, de fato piegas. Não me importa, certas coisas já não importam.

A verdade é que o tempo nunca vai parar pra você ver por mais tempo aquele nascer do sol de meia lua laranja atrás dos montes tão verdes quanto o fundo dos meus olhos, nem vai voltar pra você viver mais uma vez as lembranças que estão trancadas a sete chaves no baú de sua memória.

Sabe o que mais me fascina, já deves ter percebido, são as cores, as cores e os cheiros que elas têm, e o gosto desses cheiros que vem delas. Beleza. Passional demais. Não seca, mas se traduz em tanto mais brilho.


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