sexta-feira, 9 de março de 2012

Dia

Não importava a cor do dia lá fora, havia algo em si que o levava para a mais distante e ensolarada praia que sua memória jamais teve lembrança. Vestindo apenas um sorriso nos lábios, um sorriso branco, tão branco quanto sua pele no inverno, os pés descalço dos medos que lhe pesavam outrora, e assim sentou-se à beira-mar como quem se senta pra observar estrelas, fechou os olhos e aspirou o ar com toda a pouca força que restava em seus pulmões, sentiu queimando-lhe a garganta aquela brisa salgada que lhe invadia. Gostava de se sentir assim, liberto, como um pássaro selvagem que já nem precisava saber pra onde ir, apenas seguia planando, observando e admirando a beleza lá do alto dos seus sonhos. Não reconhecia nada naquele lugar, a não ser os tons, as cores e a paz que lhe inundava. Não precisava mais nada naquele dia, estava feliz.

terça-feira, 6 de março de 2012

De olhos fechados, em meio ao silêncio que não havia, sua boca calava o que seus pensamentos gritavam inundando o quarto, tamanha voz havia em seus olhos que o outro ouviu o que não precisa ser dito. Mais uma vez o nada ao redor, mais uma vez liberto de tudo o que era físico ou material, somente o que transcende a lógica lhes restou, e aquele sorriso tímido nos lábios. Sempre souberam.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ciclos

Encerramento
Dores que vem e vão
tais como amores,
espero, nunca vãos.

Ciclos viciosos,
pra mim,
curto ciclo de vida,
renovação enfim.

Passos largos,
decididos,
seguirem frente
pelo caminho outrora perdido.

Falta,
Saudade,
Nostalgia,
Fim.

__________________________________________________________

Já disseram-lhe da tristeza em suas palavras, mas sempre acreditou que havia beleza no triste também.
__________________________________________________________

Com os cabelos soltos, os olhos fechados e a mente limpa caminhou pelos campos dourados de trigo no verão de sua infância. Jamais havia de fato entrado neles, mas gostava de brincar lá na sua imaginação, gostava dos tons de dourado refletindo o sol, do som crocante do chacoalhar ao vento, e do verde teimoso dos que ainda não haviam encontrado o sol. Correu como quem corre pro mar, braços abertos, as lágrimas não se sustentavam em seu rosto, escorriam e morriam logo atrás de si, iam refletindo o sol do final de tarde às suas costas. Sentia uma liberdade jamais experimentada, sozinha, em paz consigo, deitou sobre o ouro macio de sua memória, fechou os olhos e adormeceu.