sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Eram aqueles altos e baixos que lhe doíam, que lhe apertavam a garganta até lhe sufocar. Havia um grito preso em seu peito, um grito que não saia mas que não o deixava dormir. Já não sabia mais fechar os olhos e sequer enxergava a simplicidade de sonhar. Pensava consigo, quanto tempo duraria esse recesso que havia se instalado em seus sentimentos. Haviam dias brancos, haviam noites tão negras que lhe assustavam, e haviam ainda as tardes mornas e vazias tão cheias de nada que o absorviam a tal ponto de não ver o sol ir embora uma vez mais. Já não sentia seus pés, não sentia seu coração tão latente a lhe embalar a vida. Mas as vezes havia aquele sorriso bobo que ainda o acordava nas madrugadas frias, e segurava as mãos vazias como se quisesse segurar infinitamente os grãos de areia que lhe escorriam por entre os dedos, e tinha medo de abrir a mão sem saber ao certo quanto de vida que ali restara. Era noite, seu corpo suava, suas mãos tremulavam no ar como que tocando uma sinfonia tão esquizofrênica que nem mesmo ele compreendia. Era então uma máquina de respirar, programado para sobreviver.
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