segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

As vezes é preciso mais que um breve espaço de tempo.
A energia não mede esforços... nem é medida.
Eh imutável.
Estará la, de qualquer forma, e vc vai poder senti-la todos os dias,
Incessantemente.
Isso não vai mudar.
Você pode aprender a lidar com isso,
A passar por cima
A ignorar a falta do abraço, do sorriso largo.
Vai parar de procurar aqueles riscos verdes em outros olhos castanhos.
Mas não vai esquecer.
Um só dia, não vais esquecer.
Em Um dia será o nascer do sol,
Em outro a praia já tão solitária,
Ate do barulho da TV que te aborrecia vc vai lembrar.
E sorrir.
E enfim quando o sorriso não incomodar,
Quando a falta por fim não for um vazio,
Neste dia,
Nem antes nem depois,
Com cheiro de flores,
E de cor branca.
Neste domingo estarás pronto.
E recomeçaras.

quarta-feira, 5 de março de 2014

havia dias em que nada parecia fazer sentido. sentia suas mãos frias, secas. sentia falta daquilo que houvera um dia, mesmo que só por um dia gostaria de lembrar como era bom. já não sabia ao certo se sentia falta das lembranças ou de quem as causara, ou ainda, se esta lembrança que ele guardava era de fato verdadeira ou só mais uma criação da sua mente já insana. quis se atirar pelas janelas, sair voando sem rumo, correndo pelo mundo sem precisar voltar, quis fugir. já era tarde da noite o dia logo amanheceria. mas ele se sentia como um gato acuado, sem destino certo se não a rua. aquele vazio de não saber de ti lhe incomodava, lhe feria, tanto que já nem sabia de si. andava perdido e sem rumo, cavando buracos em outros peitos para se esconder da solidão que o perseguia. queria um choque, queria algo que o fizesse tremer. a monotonia do nada já o deixara louco. queria um porre, qualquer coisa que o fizesse esquecer do que já nem lembrava mais. corria o tempo por entre os dedos, corria os olhos sem encontrar nada em que pudesse se agarrar. estava solto no universo como uma pluma que paira no ar. parado. estático, sem poder se mexer. e permaneceu ali, não mais intacto, agora sangrando. morria mais rápido que pudera prever e agora tinha medo.

sábado, 25 de janeiro de 2014

então ele se viu diante do mundo
tinha os olhos verdes tingidos de água
os pulsos cortados escorriam verbos
manchando de tinta a parede já suja
seus lábios mordidos, vermelhos
os sonhos rasgados, à venda
seus corpo reclamava a doença
estirado no meio da estrada
'atrapalhando o tráfego'
cantava Chico tão fácil
embriagado
até morrer.