quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Você de fato nunca me percebeu. Eu tentava te mostrar de todas as formas como eu era, eu sussurrava ao pé do teu ouvido, gritava na tua janela, mas vc não ouvia. Eu tentava entender você, ser quem você gostaria, mas eu já era só o pó de um velho livro na estante. Nem as palavras, nem o livro. Só o pó que alguém esqueceu de tirar. 

Eu grito sozinha essa tristeza para as paredes frias do meu quarto. Você não está em lugar nenhum a não ser aqui dentro me rasgando o peito. E me rasga. Me corta, já nem sei se é tua ausência ou a tua presença ou ainda a lembrança de tua ausência durante os nossos dias, ainda tão presente na minha memória, essa cicatriz ainda gravada, vermelha no meu peito. Às vezes ainda sangra. 

Eu sei, parece exagerado, mas é assim mesmo a minha alma de poeta que você nem notou, que você jogou no lixo com os bilhetes que eu deixei para ti. 


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